Kiki em entrevista

 
 
 

Um “Lobo” de alma e coração




Pedro Carvalho, conhecido entre os amigos como Kiki, nasceu em Lisboa, tem 24 anos e uma carreira repleta de sucessos. Foi campeão nacional com as cores do Direito, esteve no Mundial de Sevens de Hong-Kong, em 2005, participou na estreia de Portugal no Campeonato do Mundo de Rugby, em França, e foi o primeiro jogador português a converter um ensaio num Mundial.

Começou a praticar a modalidade com apenas 12 anos na equipa da Agronomia, transferiu-se para o Direito com 17 anos e aos 19 conquistou pela primeira vez um lugar na selecção nacional. Actualmente, está radicado em Londres, mas ainda não pôs de parte o sonho de voltar a participar num Mundial. Para conhecer melhor este “Lobo” de alma e coração, o Caixa Fã foi conversar com ele.

Com que idade decidiu que queria ser jogador de Rugby? E como é que surge a escolha desta modalidade?

O meu primeiro treino de Rugby foi na Agronomia, com 12 anos, desde então soube qual era o desporto que queria praticar. Comecei a jogar a convite de alguns amigos que já jogavam na altura e que de desafiaram para ir fazer uns treinos.

Qual é a origem da alcunha “Kiki”?
A alcunha de “Kiki”, veio da altura em que jogava na Agronomia. Quando comecei a jogar Rugby na Agronomia o meu irmão também jogava lá, e a forma como me apresentaram aos jogadores foi como “o irmão do kiki”, a partir daí todos começaram a chamar por “Kiki”.

O Pedro foi o primeiro jogador português a marcar um ensaio num Campeonato do Mundo de Rugby. O que sentiu nesse momento? E o que é que esse feito representou para a sua carreira?
Para ser sincero, só me apercebi que tinha sido o primeiro jogador a marcar um ensaio num Mundial depois de sair do jogo e ter sido abordado pelos jornalistas. Foi sem dúvida um ensaio especial, não só pelo facto de ter sido o primeiro no Mundial, mas pelo facto de ter demonstrado ao “Mundo do Rugby” que apesar de amadores, também sabíamos jogar e que dávamos sempre tudo dentro de campo.

Na minha carreira representa, sem dúvida um ensaio que jamais esquecerei, e que penso que nenhum dos jogadores que estava no Mundial esquecerá. Fui eu que fiz o ensaio, mas antes de a bola chegar às minhas mãos, ouve um grande trabalho de equipa que apenas foi concluído por mim. Foi sem dúvida um grande “ensaio de equipa” e um grande marco no Rugby português.

O Rugby era uma modalidade pouco acarinhada em Portugal e com o Mundial de França, os Lobos conseguiram conquistar a nação e reunir todos os portugueses à volta da televisão, a torcer pela nossa selecção. O que significou para vocês este carinho do público? Acha que os portugueses passaram a encarar/acarinhar o Rugby de forma diferente depois do Mundial 2007?
Esse apoio que todos sentimos por parte dos portugueses foi sem dúvida o grande reconhecimento, do nosso árduo trabalho, não só feito ao longo do Mundial mas, e sobretudo, durante os anos anteriores, onde nos qualificamos para o campeonato do Mundo e nos pudemos preparar. Um Mundial é em qualquer desporto o posto máximo e no Rugby acontece precisamente o mesmo. Com a nossa a ida ao Mundial, tivemos uma visibilidade que nunca tínhamos tido anteriormente e foi onde os portugueses se aperceberam da dimensão do Rugby e da forma como se jogava Rugby em Portugal. Penso que conseguimos transparecer uma imagem bastante positiva quer do nosso modelo de jogo, bem como a atitude que um jogador deve ter, quando tem a honra de poder representar o seu País. Foi com esta atitude que os portugueses se identificaram e que os fez estarem a torcer, á volta da televisão, por nós.

Portugal vai agora disputar 3 jogos bastante importantes com vista ao apuramento para o Mundial de 2011 que terá lugar na Nova Zelândia. Quais são as vossas expectativas para estes jogos?
Embora não esteja neste momento no grupo de trabalho para estes três jogos, visto que estou em Londres, tenho a certeza e conhecendo o Tomaz e os Jogadores da nossa Selecção como conheço, tenho a certeza que só a vitoria lhes está na cabeça e que para conseguirmos atingir os nossos objectivos teremos de trabalhar muito, e sempre com grande humildade. Tenho total confiança para estes três jogos e para a qualificação para o Mundial de 2011 na Nova Zelândia.

O GD Direito ocupa actualmente o 2º lugar da Divisão de Honra do Campeonato Nacional e está apenas a 2 pontos do líder, Agronomia. Qual é a sua opinião sobre a prestação da equipa?
O Direito tem feito um excelente campeonato. Este ano apesar de ser um ano em que mudámos de treinador, depois de três anos com o Daniel Hourcade, temos conseguido manter um nível exibicional muito elevado e regular. O facto de termos perdido alguns jogadores importantes nos últimos anos (por terem ido para campeonatos profissionais ou por terem deixado de jogar) não tem sido muito notório este ano, visto termos apostado em jogadores juniores, que se têm revelado grandes lutadores, a juntar à experiência de alguns jogadores internacionais.

Penso que, este ano, temos grandes possibilidades de ser campeões, apesar de todas as equipas que estão na Final-Four estarem fortes e motivadas. De qualquer forma, com trabalho e com espírito de sofrimento, tenho a certeza que o Direito irá ser o Campeão.
 
Qual o sonho que ainda gostava de realizar, enquanto jogador de Rugby?
Eu, felizmente, posso orgulhar-me de dizer que já tive presente nas duas maiores provas do Rugby, quer no Rugby de XV como no Rugby de VII. Estive em 2005 no Campeonato do Mundo de sevens, em que conseguimos um brilhante 10º lugar e estive também e em 2007 no Campeonato do Mundo de XV em Paris. Foram sem dúvida os pontos mais altos na minha carreira como jogador, e por terem sido das melhores experiências da minha vida, gostaria estar presente novamente numa fase final de um Campeonato do Mundo de XV. Quem sabe não se possa repetir já em 2011 no Campeonato do Mundo na Nova Zelândia.