Com 27 anos, natural de Lisboa e designer gráfico de profissão, Duarte Cardoso Pinto é considerado por muitos como um dos mais talentosos jogadores nacionais. Começou a jogar Rugby no Agronomia, com apenas 7 anos, passou uma época em França como jogador profissional, ao serviço do Blagnac e garante que voltava a repetir a experiência. Actualmente, joga no seu clube de sempre, o Agronomia, onde já conquistou um título de campeão nacional. Duarte Cardoso Pinto, ou o Velho, para os amigos, ultrapassou recentemente a marca de 800 pontos marcados em jogos oficiais, o que confirma a grande qualidade do médio de abertura português que aceitou falar com o Caixa Fã.
Como é que surgiu a alcunha o “Velho”?
A alcunha apareceu por volta dos 18 anos, depois de aos 16 ter-me começado a cair o cabelo e a ficar com “entradas”. Como tenho “GRANDES” amigos começaram-me a chamar velho, até agora...Enfim, posso dizer que foi devido à minha calvice prematura...
O Duarte foi o primeiro português a marcar uma transformação e um pontapé de grande penalidade num Mundial. O que sentiu nesses momentos?
Nesses momentos, dentro de campo, uma pessoa está tão concentrada que a maior parte das vezes não se tem noção...Mas passado algum tempo, ao olhar para trás e pensar nisso é óbvio que sinto um grande orgulho acima de tudo pelo que passámos e lutámos para estar presente no campeonato do mundo.
Como é que é que consegue gerir, os treinos, os jogos do campeonato e da selecção, o trabalho e a família? Geralmente, quem sai mais penalizado?
Com muito esforço, força de vontade e com grande apoio das pessoas da minha família e amigos. Acaba por ser a minha namorada a mais penalizada, mas quando se corre por gosto e se tem o apoio das pessoas de quem mais se gosta tudo se torna mais fácil!
Quais foram os pontos fortes e os fracos da sua passagem pelo clube francês Blagnac? Se pudesse voltava a repetir a experiência?
Os pontos fortes foram a qualidade dos jogadores, o campeonato e os adversários. Aprendi muitas técnicas novas, conheci um estilo de Rugby diferente, jogadores e treinadores muito fortes e joguei contra grandes jogadores. O facto de ter saído de Portugal e ter vivido sozinho noutro país foi também um factor positivo neste ano. Quantos aos pontos negativos, penso que foi pena ter entrado numa equipa que estava a cair a fundo com muitas derrotas consecutivas, o que tornava cada jogo uma final...No entanto, voltaria a repetiria experiência com toda a certeza!
Na sua opinião o que é que pode ser feito para que o Rugby seja uma modalidade mais acarinhada pelo público português?
Acho que depois do Mundial o Rugby em Portugal evoluiu bastante. No entanto, acho que o campeonato nacional apresenta uma estrutura desequilibrada. Temos algumas equipas ao mesmo nível e um grande fosso para as restantes. O público português tem vindo a conhecer a selecção, no entanto existe ainda um desconhecimento em relação aos clubes. Os jogos da selecção costumam encher e os jogos dos clubes têm muito pouca gente. Penso que era fundamental elevar a competição interna.
Joe Gardener obteve recentemente a dupla nacionalidade e vai poder juntar-se aos Lobos, sendo ele seu colega no Agronomia, que contributo é que acha que ele pode trazer à selecção?
O Joe para alem de ser um grande jogador é uma grande pessoa. Acho que dentro e fora de campo vai ser uma mais valia. Penso que com o seu excelente jogo ao pé e as excelentes linhas de corrida no ataque vai-nos ajudar a marcar mais pontos....
Dos 5 jogos que faltam disputar, com vista ao apuramento para o Mundial de 2011, qual será, teoricamente, o adversário mais fácil e o mais difícil?
Acho que vão ser todos jogos muito difíceis...Acho que o mais difícil e mais importante será o primeiro na Rússia....provavelmente o menos difícil, não posso dizer que seja fácil mas à partida o adversário mais fraco, pelo que vi no ano passado, seja a Alemanha. Mas jogar fora é sempre muito difícil.
O Duarte é considerado por muitos como um dos mais talentosos jogadores de Rugby em Portugal, o que é que sente quando lê ou ouve este tipo de comentários?
Quem disse isso?!?!!?!? É óbvio que toda a gente gosta de ser elogiada e eu também, mas no desporto tanto somos elogiados como no dia a seguir somos criticados. Acho que temos que fazer uma boa gestão dessas críticas e elogios e nunca deixarmos de ser quem somos. Aproveitar as críticas para melhorar, e os elogios para dar mais força e incentivo!